quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qual combustível veícular é sócioambientalmente mais correto? Parte 1.

Sabemos que a queima dos derivados do petróleo por si só é responsável por enorme quantidade de carbono lançado na atmosfera diariamente, o que potencializa o efeito estufa, sem contar com os outros elementos químicos prejudiciais a saúde.
Entre a gasolina e o diesel, o diesel seria uma alternativa mais atraente, pois um carro com motor 1.0 que a gasolina faz uma média de 15Km por litro, a diesel rodaria cerca de 40% a mais. O problema é que o diesel brasileiro tem concentração elevadíssima de enxofre, 500 partes por milhão nos centros, e de 1800ppm no interior, enquanto que nos EUA se busca um diesel de 15ppm e na Europa de 10ppm. A PETROBRÁS que era para ter passado a fornecer o diesel de 50ppm em 2009 teve uma concessão governamental para só chegar a esta meta em 2014, e olha que a Resolução CONAMA que determinou tal mudança era de 2002. Nestas horas eu agradeço que os carros de passeio no Brasil sejam proibidos de rodar com motores a diesel e me pergunto se a competência da PETROBRÁS é relativa só a ganância corporativa sem levar em consideração o bem estar da população, grande ESTATAL.
O álcool emite menos poluentes do que os combustíveis a base de petróleo, mas além do consumo dos veículos que usam este combustível ser superior em relação aos outros, devemos nos lembrar da forma como ele é produzido. Extensas áreas para a plantação, queima das lavouras emitindo muita poluição para a atmosfera, para que os trabalhadores, em sua maioria bóias frias, façam o corte da cana. Mas aí alguns já vão logo levantar a mão e falar: mas a queima da lavoura da cana não está sendo progressivamente proibida? A resposta é: SIM, e desta forma resolvemos um dos muitos problemas ambientais deste tipo de monocultura, mas criamos um social, afinal, se a cana não pode ser queimada, não há como os trabalhadores realizarem seu corte e assim a lavoura é mecanizada e onde trabalhavam 100, só é preciso 1, tá criado outro problema social.
O gás natural, que é um subproduto da extração do petróleo, é viável, mas passa ainda por dificuldade em sua distribuição, além da não autonomia brasileira na produção, pelo menos por enquanto. Também não temos idéia de por quanto tempo sua produção será viável, podemos verificar isso com a exagerada elevação de preço deste combustível frente aos outros.
Por falar em preços, já repararam, pelo menos aqui no ES, que normalmente nos postos de combustível o álcool está sempre em valores próximos a 70% do valor da gasolina, exatamente a margem que torna o uso do álcool ou da gasolina uma mera escolha pessoal, e porquê, sendo o Brasil agora exportador de combustível, tem uma gasolina tão mais cara do que os países que simplesmente compram nosso combustível sem produzir uma gota? Só para exemplificar, a média hoje do preço da gasolina no ES é de R$ 2,70, no Paraguai, "cliente" nosso, é de aproximadamente R$ 1,50. Bom, ou nosso governo é extremamente guloso no quesito imposto, táááá, eu sei que é, mas considerem também a possibilidade desta taxação toda ser para que valha a pena a produção do álcool, afinal é o "combustível limpo" de tecnologia brasileira.

Continua...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Áreas de preservação permanente: Mata Ciliar.


Este tipo de área de preservação permanente se refere a vegetação que acompanha os cursos d'águas, protegendo o seu leito do assoreamento excessivo assim como os cílios protegem os nossos olhos, daí a denominação.
O mínimo hoje previsto em lei, é que esta área vegetada deve ser de no mínimo trinta metros nos cursos d'água de até dez metros de largura e pode chegar a quinhentos metros nos cursos d'água com mais de seiscentos metros de largura. Ainda em volta de lagoas naturais ou artificiais, esta mata deve ser de quinze a cem metros, dependendo de sua configuração.
Existe muita reclamação por parte dos produtores rurais de que esta metragem estabelecida em legislação federal é excessiva, principalmente pelo fato de que normalmente estas são as áreas mais férteis da propriedade. Também nas cidades vislumbramos tal situação com argumentos diferentes, onde citam que o curso d'água por estar muito poluído não cumpre sua função ambiental, ou que a área precisa ser utilizada por déficit de espaço para moradia, entre muitos outros argumentos.
Vamos então tomar o ponto de vista das pessoas que não concordam com esta metragem, pois realmente são escassos os estudos para a mensuração correta da área necessária para que a mata ciliar cumpra sua função, pode ela ser maior ou menor realmente, acredito que deveria haver uma consonância entre o tipo do solo e a inclinação do terreno, mas, para não nos perdermos, estas mesmas pessoas que reclamam da atual configuração da lei não deixam em suas propriedades um metro sequer de mata ciliar, levando suas culturas até junto dos rios e córregos, e pior, com culturas que não garantem o mínimo de contenção de solo como café, feijão, milho, mandioca, pastagens, entre muitas outras.
Já na área urbana, as pessoas indiferentes a segurança de suas edificações, colocam suas fundações até dentro dos cursos d'água se não forem interrompidas ou advertidas por algum tipo de fiscalização, não levam em conta que a diferença de maré interfere na vida útil dos materiais utilizados em simples residências, pois praticamente ninguém constrói fundações adequadas em determinados terrenos pois isso elevaria sobremaneira os custos da obra, não compensando a construção de uma pequena obra em locais assim.
Como a fiscalização hoje em dia não está incidindo sobre as edificações e culturas instaladas previamente a lei ou que pela incapacidade do Estado não foram verificadas em tempo para evitar tal destruição, cabe mais uma vez o nosso bom senso, onde se formos proprietários de áreas deste tipo, tomarmos as devidas precauções.
Em áreas urbanas, solicitarmos parceria com a prefeitura para que seja feita a devida contenção das margens que estiverem junto às residências e revegetação dos trechos onde ainda não houver construção, não espere que a prefeitura faça tudo, se possível realize mutirões para construir jardins nestas áreas e deixe o seu bairro mais agradável e bonito.
Em área rural, refloreste as margens em princípio com a metragem que sua experiência lhe disser ser necessária, partimos do princípio de que alguma coisá é melhor do que nada, ou pelo menos utilize nas margens culturas fixas como cacau, seringueira, cupuaçú, jabuticaba, goiaba, que darão alguma sustentação ao solo e que não necessitam de doses excessivas de agrotóxicos ou se preferirem um nome mais pomposo, defensivos agrícolas, mas é tudo veneno mesmo.
Já que citei para não esperar tudo das autoridades, liguem o esgoto de suas residências ao sistema de tratamento, se disponível, não joguem qualquer tipo de lixo nos rios e córregos, utilizem menos veneno, auxiliem na prevenção ao assoreamento e vamos curtir a recuperação destes cursos d'água, quem sabe voltar a nadar e a pescar em locais onde isso acontecia a quinze ou vinte anos atrás e que muitos olham sem acreditar que isso era possível.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vamos cimentar o Jardim do Édem.

As vezes me preocupa a falta de informação a que fomos submetidos na infância. A cultura do desmatamento, que foi necessária no início do século passado, persistiu na cabeça de gerações mais recentes, sem perceber que passamos do ponto. Hoje o que temos de remanescentes florestais não conseguem mais cumprir plenamente sua função ambiental, principalmente se tratarmos de Mata Atlântica, por localizar-se em território mais próximo ao litoral onde a maior parte da população escolheu para viver.
Mas como estamos no princípio deste blog, vamos minimizar o assunto para ações que possamos individualmente fazer a diferença. Culturalmente, as cidades cresceram próximo a cursos d'água, pela facilidade de se obter este elemento e de despejar os dejetos indesejáveis, então, ocupamos áreas inundáveis, vales, planícies litorâneas, entre outras, e o que acontece nestas áreas em época de chuva intensa? Isso mesmo, alagam.

Bom, este é um problema que de certa forma nos acostumamos a conviver, um alagamento "uma vez na vida e outra...", só que espera aí, mas nestes últimos anos os alagamentos têm sido mais frequentes, é o tal do aquecimento global? Bom, ajuda, já que as florestas que têm a função ambiental de regular as precipitações (chuvas) estão se escasseando, estamos cada vez mais caminhando para períodos de longas estiagens e outros de fortes chuvas, mas nem mesmo isso é única causadora dos piores alagamentos que temos vivido.

O solo é uma superfície porosa e quando chove, parte desta água percola nesta superfície, alimentando os lençóis freáticos que de forma equilibrada, alimentará os nossos cursos d'água e nascentes por um período mais longo, porém, nós já ocupamos com nossas residências este solo que é mais suscetível aos alagamentos e o que nós fazemos mais? Queremos progresso, que o asfalto passe na porta das nossas casas, e não os culpo, todo mundo quer isso, mas porque não um calçamento a moda antiga, com paralelepípedos que ainda permite alguma percolação da água? só porquê é menos confortável para andarmos de carro, isso é fato, e dentro das nossas casas, já perdi as contas de quantas vezes ouvi as pessoas falando: "Tá sobrando um dinheirinho, vou fazer umas obras lá em casa, cobrir o terraço, colocar um portão novo, pintar a casa, cimentar o quintal,...", que isso gente, não devemos cimentar o quintal, desta forma aumentaremos mais ainda a área impermeável nas nossas cidades.

Pensem, toda a água que cai com a chuva tem que ir para algum lugar, e os nossos ecossistemas estão preparados para receber esta água em quantidade menor, distribuída em um terreno amplo, onde boa parte era absorvida pelo solo e com o tempo, através do lençol freático, os rios e córregos eram alimentados. Agora, a água bate nos asfaltos, calçadas e quintais, corre para um bueiro com ligação direta em algum curso d'água que muito provavelmente hoje você conhece como "valão", e tudo de uma vez só.

Tem uma vantagem nisso, se é que podemos chamar de vantagem, a água vai embora mais rápido, mas sua elevação terá uma maior intensidade, causando muito mais dano, mesmo sendo por períodos mais curtos.

Uma infra-estrutura adequada empregada pelo governo poderia resolver isso? Provavelmente sim, mas não saberia dizer o custo, e nem se há verba e interesse pra isso, é só vislumbrarmos o que acontece na cidade de Vila Velha no ES, se fosse fácil, alguém já teria resolvido.

Então meus amigos, vamos fazer nossa parte, e se possível for, vamos evitar impermeabilizar uma área ainda maior e vamos deixar as nossas casas com um jardim bem cuidado, de preferência plantando algumas árvores frutíferas para dar de alimento aos nossos pássaros nativos que estão voltando a aparecer nos nossos centros, já que a captura tem diminuído, e pra finalizar só um lembrete, o asfalto além de impermeabilizar o solo, tem uma coloração escura, que absorve mais calor e torna o nosso ambiente urbano mais quente ainda.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Como a cor do seu carro interfere no aquecimento global.

É logico que não é sempre que podemos optar pela cor do veículo, principalmente quando adquirimos ele como usado, mas se houver opção, prefira uma cor clara, de preferência o branco.
Quanto mais clara a cor da superfície, maior o seu poder de reflexão dos raios solares, bom pra você que vai ter um conforto térmico melhor, bom para o carro que gastará menos combustível pois o ar condicionado não precisará do mesmo esforço para manter o ambiente interno da forma desejada e bom para todos, pois será um pedaço de superfície a menos com elevada capacidade de absorção de calor.
Inclusive, olhando de forma macro, este é um dos maiores efeito/consequência do aquecimento global, pois as calotas polares, áreas com maior "albedo", ou seja, poder de reflexão de radiação solar, estão derretendo por causa deste aquecimento, aumentando a área inundada em detrimento da congelada, o que aumenta a absorção do calor que aumenta a temperatura do planeta que provoca uma diminuição ainda maior de área congelada... ufa, resumindo, uma catástrofe anunciada em um ciclo vicioso natural acelerado pela ação do homem, isso mesmo, o aquecimento global é um efeito natural que após o seu ápice, começará a regredir para uma nova era glacial (se não alterarmos o processo de forma irreversível), nós só estamos acelerando os eventos e muito com as toneladas de poluição lançados na atmosfera, queimadas de floresta, construção de ilhas de calor (complexos urbanos) e outras ações por nós realizadas.
Tá bom, vamos voltar um pouco para o micro, pois trataremos muito ainda nesta página sobre as outras formas de poluição. O que eu e você, reles cidadãos trabalhadores sem grandes poderes políticos ou empresariais podemos fazer para ajudar neste intento? Como já citado, preferir carros com cores claras, superfícies residenciais (telhados e lajes), também de cor clara ou pintada de branco e plante uma árvore no seu jardim ou na sua calçada (cuidado com as que tem raízes que causam problemas nas estruturas das edificações).
Por falar em quintais, em breve comentaremos sobre a impermeabilização do solo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Porquê trocar o refrigerante por suco?

Bom, normalmente vocês encontrariam escrito ou ouviriam em rodas de bate papo que o refrigerante traz malefícios na sua composição como corantes, açúcares, conservantes, entre outros, enquanto o suco de frutas natural só traz benefícios devido às vitaminas e a ausência de todos os elementos químicos supra mencionados.
Só que o suco de frutas traz mais uma vantagem que não nos damos conta de imediato, a manutenção do homem no campo, pois é, quando você solicita o suco em um balcão de restaurante, lanchonete ou bar, o proprietário se vê na obrigação de adquirir de acordo com a demanda, cada vez mais deste produto, incentivando assim a fruticultura que pela sua natureza delicada, necessita de mão de obra especializada e que na maioria das vezes não pode ser automatizada, ou seja, segura estes profissionais no campo.
Somente gostaria de mencionar que ouvi este comentário de um colega em um dos cursos que fiz, mas que originalmente partiu de Dalva Ringuier que é Secretária Executiva do Consórcio Caparaó, pessoa com uma consciência sócio ambiental magnífica.
Mais para frente estaremos comentando também sobre os tipos de cultura empregados no Brasil e a sua funcionalidade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Projeto Conhecer para Preservar

O Projeto Conhecer para Preservar nasceu de uma parceria entre a Polícia Militar Ambiental (PMES), Ministério Público do Estado do Espírito Santo e a ONG Instituto Kautsky.
Inicialmente, tal projeto visava somente sensibilizar os infratores ambientais para que não houvesse reincidência da prática, onde suas penas são convertidas para um mini curso de educação ambiental, seguido de horas trabalhadas em recuperação de áreas degradadas e manutenção de áreas preservadas.
O Projeto foi reconhecido no Prêmio INOVES de 2008(http://www.inoves.es.gov.br/), por "destaque em práticas sustentáveis" e mesmo antes do reconhecimento, ele já trilhava por novas vertentes.
Hoje, além do que se propunha inicialmente, o projeto realiza palestras preventivas para produtores rurais em suas comunidades com a presença de representantes dos mais diversos órgãos públicos ambientais, realiza seminários ambientais e começa a se enveredar por parcerias com outros projetos ambientais no Estado do Espírito Santo.
O sucesso deste trabalho é uma mostra de que os nossos produtores rurais sabem que alguns atos que praticam são considerados crimes pela legislação, mas não entendem por qual motivo, já que na maioria das vezes fazem uso destas práticas por herança cultural.
Para solicitação de ações em sua comunidade através do Projeto ou de maiores informações sobre sua metodologia, realizar contato pelo site http://www.institutokautsky.org.br/, ou pelo telefone (27) 3268-2300.

Saudação

Gostaria de dar as boas vindas aos visitantes deste blogger, explicando já alguns dos pontos que aqui muito serão abordados. A cor escura escolhida reflete diretamente no consumo de energia do seu monitor e no conforto da sua vista, a idéia foi captada (porque todas as boas idéias devem ser no mínimo avaliadas e se possível copiadas) do site de busca http://www.eco4planet.com.br/ , as opiniões aqui divulgadas são pessoais e sempre que utilizarmos expressões, idéias ou comentários de terceiros, estes serão devidamente reconhecidos.
Espero que com este espaço eu possa dar a minha contribuição mínima no combate a problemas que só agora começam a se revelar para boa parte das pessoas, o colapso sócio ambiental para que caminha a nossa existência.

Bem vindos.